Paul é capa da revista Mojo + tradução da entrevista


Paul é a capa da nova edição da revista Mojo, além da linda sessão de fotos feita por sua filha Mary (que estará no final da matéria) ele deu uma entrevista sobre vários tópicos que você irá ler aqui em baixo:

Ninguém faz isso melhor
O melhor compositor de música popular de sua geração continua escrevendo, continua fazendo turnês, continua gravando álbuns, para fazer hits e fazer as pessoas o escutar. Mas em Egypt Station, seu novo álbum, existe outro Paul McCartney - um que admite estar duvidando de si mesmo, fica "louco", uma pessoa "real" com problemas reais para compartilhar conosco. "Você escreve sobre seus demônios", ele diz para Keith Cameron.
Um dia em junho do ano passado, Paul McCartney deveria estar gravando o seu novo álbum. Ao invés disso ele estava assistindo televisão. Passando pelos canais, ele parou em um que estava passando "Sgt. Pepper's Musical Revolution", um documentário feito pelo compositor Howard Goodall.
"Oh" pensou Paul, sentado no braço de sua cadeira, "isso deve ser bom", Goodall procurou recalibrar a lenda ao redor do álbum dos Beatles "Sgt Pepper's Lonely Hearts Club Band" colocando análises rigorosas sobre sua inovação, diferente das teorias voltadas ao significado cultural. Sua abordagem, ambas relevantes e 'escolarizadas', envolvendo o frequente uso do idioma musical: escalas cromáticas, modalidade eólica e o gosto. "Que foi muito interessante", lembra McCartney, "porque nenhum de nós pensamos assim. Eu tenho certeza que John, George e Ringo nunca pensaram desse jeito. Nós fizemos com nossos instintos. Não tínhamos ideia do que estávamos fazendo, indo para o grande tônico, ou qualquer coisa. Gin e tônico era tudo que eu sabia..."
Com o tempo Goodwall foi para Penny Lane, o autor de uma das mais celebradas e examinando minuto por minuto de todas as músicas dos Beatles estava se sentido desnorteado. "Isso era uma coisa" disse Godwall "O piano em Penny Lane não era apenas um piano. Na gravação são 4, nós os descobrindo tirando parte por parte como um arqueológico, na gravação original". McCartney ficou chocado "Quatro?? Não acredito nele. Mas acredito que ele fez certo - e ele tem as fitas. Primeiro de tudo, Paul tocou esse piano..."
Goodall revelou várias partes que comprometem o som que Paul lembre sendo de um piano só. Um por um, a dinâmica se intensifica. "Eu estou indo, isso é muito legal" diz McCartney. "No final, ficou soando como um piano, tanto que eu me enganei."Então Goodall mudou para um instrumento adicionado na música de Paul: uma harmônica; um trompete piccolo inspirado por Bach's 2nd Brandenburg Concerto...
No momento que Goodall terminou a desconstrução e então se assemelhando a Penny Lane, McCartney se sentou, atordoado. "Eu pensei 'WOW eu realmente fiz isso?!'" No final de toda a apresentação de Goodall, ele estava se sentido inspirado, energizado. A aparência de seu novo álbum, a gravação que estava trabalhando periodicamente com o produtor Greg Kurstin pelos últimos 12 meses, começou a ficar mais claro "Assistindo a aquele documentário me lembrou um pequeno frame que estávamos dentro: ser muito experimentais, vamos tentar isso apropriadamente. Quando Howard Goodall separou tudo, eu fiquei, Oh isso era ótimo quando fazíamos isso! Fabuloso!" 
No próximo dia, McCartney correu para o estúdio, e disse para Kurstin o que ele viu e ouviu, como aquela "pequena bandinha" de Liverpool fez a 50 anos atrás, e o que os dois estavam prestes a fazer. 
"E então", McCatney disse "nós começamos"
Visível de um quarto de uma milha, Hog Hill Mill parece desaparecer quanto mais perto se chega. As estradas estreitas e contornos ondulantes de East Sussex apresenta uma grande privacidade para o moinho de vento do século 18 e a pequena quantidade de vizinhos que tem abrigado o estúdio de Paul McCartney desde 1985. Mojo involuntariamente passou na frente duas vezes, depois parando para pedir direções.
Tem algumas coisas obvias, mas ainda indescritíveis sobre o dono do estúdio. Mesmo aqui ou em casa na fazenda perto, ou no seu escritório no Centro de Londres no bairro Soho, Paul McCartney se esconde na vista: sem um grande número de seguranças em sua volta, nem vive em um local fortificado. Ele lida com o brilho distorcido da fama se projetando na face do público. "Eu vou de trem, um trem cheio, sozinho" ele diz "Enquanto isso Michael Jackson precisaria no mínimo 17 seguranças". 
No dia da visita da Mojo, McCartney estava em total modo exibidor. Um time do programa 60 minutos da CBS, a revista nobre agora, estava filmando ele no estúdio, onde ele estava em uma sessão de gravação para seu álbum novo, Egypt Station, que começou em 2016. Dados os limites práticos de um casebre do século 18, o processo envolve muito abaixamento de vigas e embaralhamento em torno de corredores estrábicos. As paredes são decoradas com algumas apresentações, discos (Box de 2001 do Wings "Wingspan" é prominente) e uma foto da capa de uma revista de bicicleta, que inicialmente parece sem sentido, mas chegando perto revela que um corredor que pertence ao Linda McCartney Foods ganhou para o time. Nenhum botão é apertado para acabar com a pressão de McCartney fazendo uma excursão de 60 minutos na sala onde a mágica acontece. Muitos dos equipamentos, ele explica, foi pego de um outro estúdio que estava vendendo em um antiquado. Para provar o ponto, ele vai até o mellotron que uma vez viveu no estúdio da EMI, Abbey Road - a harpsichord e o harmonium também estão aqui - e toca o começo de Strawberry Fields Forever. Na sala de controle, o engenheiro de longa data de McCartney, Steve Orchard  dá um sorriso trêmulo. Ele já viu essa rotina antes, mas você não pode imaginar ficando blasé sobre esses momentos. Paul vai até o Moog e toca um pouco de Lady Madonna, terminando sua tour na bateria. "Configurado como a de Ringo - ou 'Sir Richard' como deveríamos chama-lo"
Com a CBS finalmente satisfeita, um dos funcionários prepara o almoço obrigatório de Macca e ele leva a Mojo para o andar de cima. Para a alegria: fotografias, livros, e pinturas, muitas delas do próprio McCartney, dentre elas nenhum sinal da Egypt Station, a calorosa e colorida de 1988 a obra de arte que deu ao álbum o seu novo nome. Em meio de baterias e sinos, o instrumento mais impossível de não ser reconhecido é o double baixo que Bill Black tocou na gravação de Elvis Presley Sun, um presente de aniversário de sua primeira mulher Linda, e tocado por Paul em Fevereiro de 1995, quando os 3 dos Beatles sobreviventes com uma ajudinha de seu amigo Jeff Lynne, gravaram a música de John Lennon - Real Love. Todas essas extraordinárias memórias de vida, vivida por uma pessoa maravilhosa.
Eu e McCartney nos conhecemos em 2005, quando ele ainda não tinha 64 anos e continuava casado com Heather Mills. Hoje ele está a menos de uma semana para fazer 76 anos, e em Outubro ele vai comemorar 7 anos de casado com Nancy Shevell. Ele parece bem nisso. Uma de sua "Keysong" de seu novo álbum, Happy With You, é aberto sobre suas emoções recorrentes e seu bem-estar, especialmente quando sugestiona que o passado não era tão bom: "Eu sentei o dia todo/ Eu gostava de ficar chapado/ Eu costumava ser desperdiçado/ Mas nesses dias eu não - porque eu estou feliz com você/ Nós temos muitas coisas boas para fazer"
Apesar de obviamente velho, ele parece mais confortável que o homem que eu lembro de 13 anos atrás. Seu cabelo longo, com a cor que ele coloca em seu cabelo, que finalmente está sendo autorizado a se retirar e deixar graciosamente ao seu tom natural. Suas escolhas do guarda-roupas dizem bem de vida, discreto, relaxado: uma camisa de botões de manga comprida e calças largas na cintura que mostra uma rotina regular na academia. Assim que sentamos em sofás um de frente para o outro, ele retira seus sapatos e revela seus pés descalços, e pega rapidamente o seu telefone.
É o mesmo Nokia padrão que ele tinha décadas atrás, que inspirou no título de seu álbum de 2007 "Memory Almost Full". Alguns pegaram essa pista que o grande pop compositor de todos os tempos estava de olho no seu encerramento. A verdade, diz Paul, era mais simples.
"Você não percebe a significância que as pessoas vão colocar nas suas coisas: você sabe, 'Parece que é um gesto final - dar mais um ano e então acabar com isso'. Era algo que meu telefone Nokia dizia. Eu só achei que seria legal."
Então vocês dois, você e o seu telefone, continuam fortes.
"Eu amo o que eu faço", ele diz, simplesmente "mas agora", ele pega do seu bolso "Eu tenho um iPhone também!"
A luz interior
Uma dúzia de emoções de Macca, dos Beatles até agora
1. Yesterday (Help!,1965)
A letra 'segurada' com a melodia sonhada talvez tenha destacado "Scrambled eggs", mas para mim era muito mais profundo por parte do subconsciente de McCartney. Escrita menos de uma década depois da morte de sua mãe, tem uma experiência de vida na parte "Porque ela teve que ir..."

2. Eleanor Rigby (Revolver,1966)
Uma música profunda empatia para a perda e se sentir sozinho - particularmente memorável para alguém que tinha apenas 23 anos. Não há final feliz para a condenada Rigby ou o padre McKenzie, tornando essa música mais sombria e comovente

3. You Never Give Me Your Money (Abbey Road,1969)
Os problemas financeiros dos Beatles foram pintados nas primeiras frases da música e depois escapam ("Em breve nós iremos estar bem longe daqui"). Entrega a calma de McCartney e nos versos iniciais falam de uma aceitação infantil de uma situação terrível e os sentimentos seguem nos holofotes.

4. Let it Be (Let it Be, 1970)
Um hino auto-curativo escrito durante tempos turbulentos. Outra (paguem Dr. Freud) música produzida de um sonho - um que desta vez foi vivido no qual a mãe de Paul fez uma visita para ele para acalmar a sua mente. A qual virou uma ótima música pessoa, Let it Be entregou um acorde universal

5. Every Night (McCartney, 1970)
Enquanto Lennon estava gritando a sua dor, McCartney estava mascarando a sua própria em uma melodia enganosa. Nosso narrador está fora de sua cabeça e tendo problemas de tirar ele mesmo da cama. A salvação vem em forma da Linda e sua domesticidade: "Eu só quero ficar aqui e estar com você"

6. Dear Friend (Wild Life, 1971)
Depois das farpas trocadas nas músicas "Too Many People" e a música de John "How Do You Sleep?", Macca deu um tom triste e conciliatório no final de seu primeiro álbum do Wings "Eu estou apaixonado por um amigo meu/ realmente, verdadeiramente". Depois de semanas do lançamento, os dois se encontraram em Nova York e juraram pararem de mandar farpas publicamente uma para o outro

7. Waterfalls (McCartney II, 1980)
As ansiedades paternal traduzida em uma cação de ninar calma, retratando uma paisagem de conto de fadas parecida com o perigo de nossas corredeiras e ursos polares. A dor de preocupação do coro ("Se você sempre deve decidir ir embora"), combinada com o arranjo nu, era o coração de uma canção que soava doce, mas revela medos profundos.

8. Here Today (Tug of War,1982)
A reação à repentina e chocante ausência de Lennon veio na forma de uma massiva tocante e imaginada música. Do passado que compartilharam resulta em uma invocação do espírito de seu amigo através do meio que eles se conheciam melhor: "Se você estivesse aqui hoje/ Por você estar na minha música"

9. Riding to Vanity Fair (Chaos and creation in the backyard, 2005)
Raramente McCartney exibe sua raiva publicamente, mas essa balada furtiva (com ecos de seus álbuns produzidos com Nigle Godrich e Beck) silenciosamente ferve com um "amigo" não identificado. Especulações da possível pessoa - Lennon? Ex membro do Wings Denny Laine? Ex-publicitário Geoff Backer?- enfurecido online. Mas Macca permaneceu de boca calada

10. The End of The End (Memory Almost Full, 2007)
Perto de 65, McCartney imagina o seu próprio funeral, enquanto toca o mesmo piano da Abbey Road usado em Lady Madonna e visualiza um cenário comemorativo em que sinos tocam e canções antigas são cantadas. Longe de ser mórbida, é a última vontade e testamento de poder duradouro da música e "o começo de uma jornada para um lugar melhor"

11. Early Days (NEW, 2013)
Sua voz rachada por causa da idade, Macca lança sua mente de volta para seus idias pre-fama em Liverpool com Lennon, desafiando aqueles que afirmam ser especialistas nessa época (mas nem estavam lá). No topo está essa admissão das vulnerabilidade  do passado: "Algumas vezes tive que mudar a dor por risadas/ Apenas para não ficar louco"

12. I Don't Know (Egypt Station, 2018)
Uma veia parecida com Every Night, uma progressão de acordes brilhantes, sonhadora ( e magistral) serve para mapear o progresso da tempestade de pecados de McCartney. Aos 76 anos, ele sente que tem "muitas lições para aprender" sobre a condição humana. Além disso. I Don't Know mostra que seus dons de composição continuam intactos

Quando você sabe que é hora de fazer um novo álbum?
Chega em um ponto que você tem muitas músicas. Você precisa fazer algo com elas. De outra forma minha esposa fica brava comigo - "O que você está fazendo com esse monte de músicas na sala?!" Algumas delas são de alguns anos atrás. Eu faço um estoque delas. Então eu começo a pensar: "Eu gosto de fazer álbuns, já está na hora.. Teve umas 10 músicas muito boas que ficaram fora desse.

Você tinha um mapa de rotina musical no inicio?
Se você quer ser notado nesses dias, chegar no topo dos Charts, tem dois jeitos de fazer. Um é conseguir um produtor que vai fazer apenas 10 músicas para o top. Tipo o álbum da Taylor Swift. E eu pensei "Eu não tenho certeza se eu quero isso". Ou você pode tentar fazer um "álbum" álbum. Mais com um conceito, para definir o seu cérebro para - todo tipo de música, não precisa ser um hit, algo que você pense que pode ou não ser comercial. Eu selecionei as músicas que mais gostei de tudo que tinha e trabalhei em cima delas com essa vaga ideia de ser uma entidade. Iria ser uma coisa só. Fazer um álbum, tem um pouco no fundo da sua mente - na minha, de qualquer jeito - pensando, "Como vai se chamar? Abbey Road? Não, isso já foi feito... "Aconteceu de eu estar pensando em uma pintura que eu fiz a um tempo atrás, chamada Egypt Station. "Eu gosto dessa palavras", eu pensei. E então vi a foto da pintura e pensei, "Isso pode ser uma capa de álbum interessante". Eu não vou fazer uma grande foto minha na capa, sorrindo. Eu pensei que essa pintura podia ser interessante: é louca o suficiente, e é um local. Um local místico. Então aqui estamos nós - Egypt Station

Você criou o seu próprio mundo, mesmo com o simples ato de dar um nome
Era uma ideia. Estávamos trabalhando com isso em mente. Eu queria abrir com um som de estação - o que é uma coisa do Sgt. Pepper, (que abre com) um som de um local de show. Eu toquei isso (para o engenheiro dos Beatles) Geoff Emerick na realidade, quando estávamos em LA, e ele disse "Isso nos lembra algo, não é?" eu disse, "Sim!" então é um tributo a isso. Se você quer fazer uma viagem de fone de ouvidos você pode fazer isso com esse álbum.
Com a escolha do produtor, McCartney efetivamente acabou com o problema "como ser notado com esse álbum no século 21". Greg Kurstin é um conservador que foi educado como pianista de jazz. Desde que co-escreveu e produziu a música Hello de Adele, ele virou a pessoa mais demandada em estúdios neste planeta, abrindo caminho entre puro pop e artistas sérios de rock. O par trabalhou junto no começo de 2015, quando Kurstin produziu um longo dia de sessões com um grande conjunto, incluindo Lady Gaga e Mike McCready do Pearl Jam, gravando uma música que McCartney escreveu para um filme animado. O projeto parou no meio por causa de dificuldades, mas McCartney gostou de Kurstin e decidiu que usaria ele no seu próximo álbum. Por inteiro a reputação de Kurstin virou totalmente Adele. McCartney se afligiu um pouco - "Todos vão pensar que estou apenas usando ele porque ele é o sabor do momento" - mas depois das sessões bem sucedidas começarem na primavera de 2016, o processo de gravação ficou durante os próximos 24 meses, com pequenos pedaços de tempo marcados para quando McCartney não estava fazendo turnê, enquanto isso Kurstin estava produzindo novos álbuns para Beck, Foo Fighters e Sia. Eles trabalharam em The Mill, então em Los Angeles no Henson ( o antigo estúdio A&M). Algumas músicas McCartney apresentou para Kurstin em forma concreta, com a banda completa ou demos solos, o qual começou com um processo de desconstrução; outros eram apenas fragmentos, demos com apenas a voz dele no telefone. Os toques finais foram feitos na Abbey Road - uma emoção para Kurstin, que foi educado com uma fascinação pelo som radical dos Beatles que foi complementado por um dia com McCartney fazendo técnicas experimentais.
"Esses dias, quando eu vou para uma sessão, eu também levo algo em uma forma finalizada, que seria o meu método normal, ou apenas levo uma guitarra e penso "ok, agora vamos fazer algo". No qual no começo eu estava incerto sobre. Como iríamos sem saber o que faríamos? Mas muitas pessoas trabalham assim. Eu trabalhei com Kayne e eu acho que eu não toquei nenhuma nota, eu fiquei chutando (?) longe no fundo e ele estava gravando tudo, e colocou isso em três músicas. É algo que eu não fiz. Eu estava lá para isso".
O único momento seriamente estranho quando aconteceu um agendamento dublo com Kurstin e McCartney se conteve para não reclamar. Ele foi no The Mill com Ryan Tedder, o talento da MTV ganhou um show e protegido por Timbaland virou em um produtor de sucessos como para Beyoncé, Ed Sheeran e, de algum jeito, inevitavelmente para Adele. Depois de dois dias usado para improvisar vocais em cima de 'ganchos'  - de acordo com o método de Tedder - McCartney explodiu na banalidade do processo "Eu disse para Ryan, 'Isso é louco. Eu tenho uma carreira aonde eu estive envolvido com músicas que tem significado, e isso não tem nenhum valor... Você sabe - eu escrevi Eleanor Rigby! E agora eu estou cantando "Eu sou um amante para você, Eu sou um amante para você, Eu te amo bebê, sim eu quero..." Eu não posso entrar nisso".
Depois de quase abandonar a sessão, McCartney decidiu perseverar, com o embargo de reescrever a letra mais tarde. O resultado é Fuh You, um significado simples na tradição contemporânea. Here, There and Everywhere não é - mas, é co-autor das notas, que nunca foram o objetivo. "No telefone antes de irmos para o estúdio; Ryan disse para mim, "O que você quer atingir nesta semana?" eu podia ser tímido e dizer 'Eu não sei..." mas não, eu o cortei no meio da frase 'um hit'. Ele disse, "Ótimo, você está falando a minha língua"
O mundo gosta de Hits! "É apenas uma música divertida de qualquer jeito. Não esta tentando ser importante".
Este desvio à parte, Egypt Station é notavelmente bem sucedido em sua formulação de um formato orgânico para Paul, uma onde suas virtudes melódicas eternas são tratadas com sensibilidade. A profundidade e o detalhe são intensos, mas a tela nunca é sobrecarregada. As alegrias bucólicas de "Happy With You" são contrapostas por "I Don't Know", um grito queixoso da alma: "Eu tenho corvos na minha janela, cachorros na minha porta/ eu não acho que posso segurar isso mais/ o que eu estou fazendo errado?" Com um toque do período final de Wings, Dominoes é uma daquelas insinuações arquetípicas de Macca sobre insights filosóficos em torno "choogle" (?) descendente. Finalmente, temos "Despite Repeated Warnings", o álbum conceitual tem um centro: uma suíte multi-seção, na linhagem de Band on the run e Live and let die, de volta para A Day in the life, com metáforas ("o capitão não vai estar escutando"; "Esses que gritam bem alto talvez não sejam os mais inteligentes"; "É a vontade das pessoas") é sobre Trump e Brexit.
O crédito se deve a Greg Kurstin, mas a força do álbum deriva de seu núcleo de canções excepcionais, que iluminam com inesperada franqueza o mundo interior de seus escritores, revelando sinais de insegurança - uma qualidade raramente reconhecida pelo imagem popular Paul , de fato pelo próprio Paul McCartney.
Corvos na janela, cachorros na sua porta - o que está acontecendo aqui?
É uma música de progressão. Algumas vezes em sua vida, você não é um Deus no Olimpo. Você é uma pessoa real andando pelas ruas. Eu sou avô, pai, marido, e nesse pacote você não tem garantia que todo tempo tudo vai dar certo. (risadas) Na verdade, é um pouco o contrário. E teve uma ocasião privada - eu não vou entrar nisso - que me trouxe para baixo. "Deus o que eu estou fazendo de errado?" eu não estou batendo, eu tenho uma vida boa. Mas de tempos em tempos, a realidade se intromete. Essa era uma daquelas ocasiões que foi tipo "Oh me fode.."A única coisa que eu podia fazer era sentar no piano (mimica de tocando piano angustiado). "Eu tenho corvos na janela! Cachorros na minha porta!" E tudo isso virou essa música.

Então é uma balada de piano na tradição do blues?
Bem exatamente, é realmente isso. "Minha mulher me deixou!" Não foi assim, mas foi meio que este sentimento. Eu realmente não sabia o que fazer sobre isso, não outra coisa além de escrever uma música. Então eu escrevi a música e senti que tinha muito mais que uma ideia do que fazer. Você escreve sobre seus demônios. É muito bom apenas dizer "Eu não sei o que fazer!" É como se confessar.

Você não é geralmente reconhecido como um compositor emocional, nem por outros compositores emocionais. Quando Kayne West foi perguntado sobre a colaboração com você, ele disse: "Eu devo ser mais angustiado que Paul. Eu sou angustiado como John". Ainda uma de suas canções mais conhecidas seja um exercício de "escrever sobre seus demônios". Yesterday, por exemplo
Sim. Ou The Long and Winding Road. Essa é uma das coisas boas de escrever canções - é como uma sessão de terapia. Mas a coisa comigo é, eu sou otimista. Apenas todos os dias quando eu vejo pessoas, Eu sou muito o tipo extrovertido de Liverpool. É muito como minha família é. Então isso cria uma certa impressão. "Tudo bem amor, como você está indo, ein? Boa dia, não é?" Esse sou eu. Mas o ponto de partida é, que isso algumas vezes deixa para as pessoas a impressão errada: que eu não ligo, que eu não penso sobre as coisas, e que eu sou apenas uma pessoa feliz. O que não é verdade. Tem mais de mil aspectos que você não vê.

Você já vi Jeff Lynne sem os óculos de sol?
Sim. E não foi uma vista bonita

Eles são o escudo de proteção dele contra o mundo. Você tem um?
Eu tenho certeza que sim. Eu ataco com humor e boemia
O que é uma boa razão do por que I Don't Know é uma ótima música, porque isso parece em desacordo com a sua persona pública, que você é como uma personificação de grande autoconfiança
É, eu tenho os meus momentos também. Eu me sinto OK falando sobre isso. Pessoas talvez não pensem que sou assim, mas eles deviam relacionar mais com isso.

Da mesma forma Happy With You - é uma declaração positiva, mas com uma borda de escuridão: "Eu costumava beber demais/ Esquecer de voltar para casa"...
É sincero - eu costumava a ficar chapado, e desperdiçar.

 A implicação de ser que você não é necessariamente feliz - enquanto que pessoas talvez tenham assumido, Hey! É o Paul, ele escreveu que "ode to pot" em Got To Get You Into My Life, ele continua vivendo os sonhos dos anos 60, bebê...
É isso. Eu tenho muitos amigos que estão sóbrios. Por que eles precisam estar. Ringo, Joe Walsh - porque eles levaram isso muito mais longe. Quando nós estávamos crescendo , todo mundo ia para o pub e bebia, mas parecia mais divertido. Mas quando eu falei com o Ringo sobre isso, ele disse "Não, se você me der uma vodka, eu tenho que terminar a garrafa inteira." Então isso enfatizou com Ringo: costumava fazer coisas malucas, mas você não sabe, porque você está feliz. E Ringo está muito contente com sua vida.
Então não é necessariamente autobiográfica?
Eu costumava ficar um pouco mais maluco do que eu fico agora - eu tenho oito netos, eu não tenho tempo! Avôs não podem apenas estar sentado (risos) na sua cadeira de balanço com um grande dobbie e uma garrafa de tequila. Consequentemente, você está feliz. É realmente legal escutar um robin cantando, ver o fluxo correndo montanha a baixo. É bom tirar tempo para essa coisas também. Isso é mais do que eu sou hoje

Quando você reflete no seu passado, você consideraria que teve períodos de medicação a si mesmo?
Definitivamente. Mais particularmente após o período depois dos Beatles, quando eu estava bebendo muito e no meio de uma horrenda merda onde alguém estava pegando todo dinheiro que fazíamos. Isso não foi fácil, e tomou uma liderança para um tempo difícil na minha vida. Eu definitivamente me mediquei lá, e bebi mais do que já tinha bebido e provavelmente mais do que já bebi desde lá. Mas você atravessa isso.
 Você escreve sobre seus demônios...
E Happy With You está falando sobre essa outra coisa também  "Eu menti para o meu doutor, mas nestes dias eu não minto..."
Quem nunca mentiu para seus doutores?
 Isso que eu quis dizer! "Não, eu estou bem, me sentindo bem..."
"Apenas mais um copo de vinho por semana...." 
 (risos) Esse é um! Um grande copo! Sim, essas coisas fluem dentro de uma música. Elas não são todas autobiográficas, mas você inevitavelmente você coloca tudo que está acontecendo com você

Paul McCartney tem alguns sonhos decorrentes. "Caindo do palco, ou no estúdio. Apenas tudo dando errado. Nós tocando um show mortal em algum lugar e a audiência está indo embora. Isso acontece muito. Mas é legal - eu conheço John e George. Então é meio bom. Outro é que eu tenho o meu baixo e uma fita preta em torno de tudo. Eu estou rasgando essa fita preta do meu pescoço... Sonhos frustrantes. Eu não acho que ninguém escapa dessas coisas."
Na evidência de Egypt Station, esse velho homem de 76 anos está fazendo um balanço, dos dois panoramas pessoais e da grande foto. People Want Peace é sua última tentativa de escrever um hino sobre, parcialmente inspirado pelas experiências de Paul ao redor da decisão controversa de tocar na Tel Aviv em 2008, no qual alguns amigos tinham aconselhado ele contra isso. "Eles disseram 'Você não pode ir'. O problema, quando você diz isso para mim, isso me faz querer ir. Eu não gosto de ser dito o que eu devo fazer". Ele se apresentou enquanto aprovando OneVoice, uma iniciativa global para apoiando ativistas Israelenses e Palestinos que procuram uma negociação dos dois estados para a resolução do conflito. "Isso foi algo que meu pai me disse quando eu era criança" ele disse "Que pessoas querem paz, são os políticos que estragam tudo' E isso tem se mantido verdade."
Macca e políticos não se misturam, pelo menos não musicalmente. Seus poemas, como Big Boys Bickering, tem um instrumento contundente de qualidade que Harold Pinter talvez ficasse admirado (Big boys bickering/ então o jogo vai e vai/ big boys bickering/ fodendo para todos/ para todos!!"). Então teve seu ato de protesto em 1982, quando ele mandou um telegrama a Margaret Thatcher para censurar ela sobre o novo tratamento do governo de NHS enfermeiras, em greve por um aumento de 12%. "Dê tempo para os trabalhadores da saúde", ele demandou, avisando: "O que os mineiros fizeram a Ted Heath, as enfermeiras farão com você".
Paul esqueceu que alguma hora escreveu isso, mas parece satisfeito de ser relembrado. "Bom para mim! Bom para mim. Isso foi realmente legal. Minha mãe era enfermeira. Naquele tempo, e continua nos dias de hoje, enfermeiras não ganham seus crédito devido ou seu pagamento. É um grande problema. Eu estou feliz de ter escrito isso para ela, por mais (risos) que eu não lembre disso"
Poucos se lembram de sua incursão mais notória na canção de protesto com muito carinho. Independente de algum mérito artístico, a música de 1972 do Wings pós Sunday Bloody Sunday, Give Ireland Back To The Irish foi sabotada para ser passada a frente, o qual tem sido o principal critério. McCartney concorda. "Eu não acho que escrevi a mais brilhante música política. Ela não teve o mesmo efeito que We Shall Overcome ou Give Peace a Chance. Mas, como Linda diria, 'é permitido'. Algumas vezes a situação fica apenas demais. Você escreve elas para fora por frustração."
Por contraste, Despite Repeated Warnings é musicalmente espetacular e afirma a virtude da ambiguidade em uma letra. Quem é "o capitão" e o que é "sua própria agenda"? O que é "o plano idiota" que "nós" "queremos parar de passar". Pode "o engenheiro" de algum jeito salvar o navio? O que é "a vontade do povo"?
"Trump está nele" McCartney concorda. "Não Brexit, foi escrito antes disso. Mas Trump, definitivamente. É mais sobre alguém que pode negar a mudança do clima. Você sabe, sou casado com uma americana, e eu vou muito para a America e eu tenho muitos familiares americanos, amigos americanos.... e nós tendemos a sermos liberais. Mas tem um ou dois que você não conversa se estiver em um jantar, porque você sabe que eles irão se projetar nele. Eu não quero ser um ativista particularmente, mas eu sinto que tem uma injustiça que eu quero fazer eu escutar. Colocando esse cara Pruitt em carregar o Meio Ambiente, um cara que brigou quando estava no escritório - é tão maluco. Eu sei quem é o capitão, acho que muitas pessoas entenderam."
McCartney não votou no referendo de EU de 2016 - ele estava em turnê, na Europa. Em uma entrevista ao Washington Post um pouco depois, ele admitiu se sentir confuso, escutando "bom argumentos dos dois lados", mas ele começou a ter que descer do lado esquerdo por causa de pessoas como o Governador do Banco da Inglaterra, muitos dos experts de financias, estavam dizendo isso". Dois anos depois, ele não está mais equivocado. "Eu entendo a frustração com a Europa. Por que eu corri para isso, certamente pedaços de burocracias. Eu vivo em uma fazenda e nós temos ovelhas. Quando elas morrem, eu enterro elas. Isso acontece em uma fazenda orgânica, então isso faz sentido para mim . Mas aqueles que estão decidindo de Strasbourg, Brussels, algum lugar, que nesses dias você não pode enterrar elas. Quando uma decisão vem de Londres, isso foi ruim o bastante para pessoas de Liverpool. Mas quando isso vem de Strasbourg, e é maluco.... Então até uma parte de mim apoia a Europa porque tem sido um prolongado período de paz, eu entendo porque pessoas querem sair. Mas eu também entendo porque pessoas queriam ficar. Nós apenas temos que ver o que acontece". Apesar da massiva bainha e a fama na qual oferece a ele um privilégio de fácil - se não é de graça - movimento ao redor do globo e através dos enredos da vida, Paul McCartney continua saudando a ele mesmo como um homem da classe trabalhadora. "Não tem nada a ver comigo. Foi como eu fui criado. Eu sou um homem da classe trabalhadora. Eu gosto da classe trabalhadora! Eles são engraçados. Eles são espertos. E eles trabalham. O que é muito interessante. Por que muitos não fazem isso. Eu gosto de trabalhar"
Você está com 76 anos como é fazer turnê pelo mundo de novo. Você recebe pensamentos sobre aposentadoria?
Inevitável não receber. Eu quero dizer, eu tinha esses pensamentos quando tinha 65. O que aconteceu um tempo atrás. Por que com 65 é a idade da aposentaria. Em meu mundo, no mundo da classe trabalhadora.
Agora é 66
Oh eles mudaram? Hey, eles podem mover isso o mais rápido que eles quiserem, eu não ligo. Por que meu trabalho é tocar. Parece que trabalhar é OK
The Rolling Stones estão ainda por ai - você sente uma causa comum com eles, possibilitando você continuar indo?
Eu estou dando a confiança para eles continuarem indo. Eles estão olhando para Macca e pensando, "Bem, se ele ainda pode fazer isso..."! Nós apenas percebemos que amamos tocar. E acontece que somos realmente bons nisso.
A porta do escritório se abre: Tara, a 'cuidadora' do diário de McCartney, está aqui para anunciar que acabou o horário. Paul fica em pé e começa a preencher a volta com em uma arte deco azul escuro de seu carpet. Mojo pergunta se a junkebox vintage no canto continua funcionando? Ele coloca na tomada e as luzes da máquina aparecem, oferecendo uma seleção de Macca: Fats Domino, Little Richard, Buddy Holly, The Everly Brothers, Al Jolson Give My Regards To Broadway...
"É melhor nós escutarmos algo, certo?"McCartney seleciona Hound Dog de Elvis Presley e está retumbando na sala.
Eu esperei ele me conduzisse para fora no primeiro refrão/ verso, mas ele ficou durante toda a duração fazendo air-guitar durante os solos. A segunda em particular, eu me arrisquei e soou completamente improvisado. "Oh, eu acho que sim!" McCartney grita. "Você deveria ter tocado só essa vez" Depois de 2 minutos e 15 segundos de transportação, ele abre a porta e nós saímos, de volta ao mundo exterior.

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